Tema: Desafios de se vencer as barreiras para se pensar uma saúde de homens no Brasil

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema:. Apresente proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 1

Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH)

Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH) tem como diretriz promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade singular masculina nos seus diversos contextos socioculturais e político-econômicos, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas locais de saúde e tipos de gestão de Estados e Municípios.

Para atingir o seu objetivo geral de promover a melhoria das condições de saúde da população masculina adulta – 20 a 59 anos – do Brasil, a PNAISH é desenvolvida a partir de cinco (05) eixos temáticos:

  • Acesso e Acolhimento: objetiva reorganizar as ações de saúde, através de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços reconheçam os homens como sujeitos que necessitam de cuidados.
  • Saúde Sexual e Reprodutiva: busca sensibilizar gestores(as), profissionais de saúde e a população em geral para reconhecer os homens como sujeitos de direitos sexuais e reprodutivos, os envolvendo nas ações voltadas a esse fim e implementando estratégias para aproximá-los desta temática.
  • Paternidade e Cuidado: objetiva sensibilizar gestores(as), profissionais de saúde e a população em geral sobre os benefícios do envolvimento ativo dos homens com em todas as fases da gestação e nas ações de cuidado com seus(uas) filhos(as), destacando como esta participação pode trazer saúde, bem-estar e fortalecimento de vínculos saudáveis entre crianças, homens e suas (eus) parceiras(os).
  • Doenças prevalentes na população masculina: busca fortalecer a assistência básica no cuidado à saúde dos homens, facilitando e garantindo o acesso e a qualidade da atenção necessária ao enfrentamento dos fatores de risco das doenças e dos agravos à saúde.
  • Prevenção de Violências e Acidentes: visa propor e/ou desenvolver ações que chamem atenção para a grave e contundente relação entre a população masculina e as violências (em especial a violência urbana) e acidentes, sensibilizando a população em geral e os profissionais de saúde sobre o tema.

Texto 2:

Homens não devem deixar a saúde em segundo plano

 
 

É comum ouvir por aí que os homens não costumam dar muita importância à saúde. E essa questão pareceu se tornar mais concreta em meados de 2009, quando tanto o Ministério da Saúde quanto a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lançaram ações chamando a atenção para a saúde do público masculino. Como qualquer pessoa, os homens precisam, sim, ter cuidado com a saúde. Mas, não é correto dizer que eles são relaxados nesse sentido. “Fica essa impressão porque as mulheres têm mais contato como o ginecologista, é um processo mais fácil para elas, que engravidam, têm filhos e acabam indo se consultar mais vezes do que os homens”, afirma Oskar Kaufmann, urologista da SBU e dos hospitais Albert Einstein, São Luiz e do Hospital do Homem.

 O que existe, de fato, como explica o Ministério da Saúde, são questões institucionais que levam os homens a adiar ou evitar a ida ao médico, como o horário de funcionamento dos estabelecimentos de saúde, difícil acesso ou presença de mulheres para certos exames. Além de barreiras sócio-culturais. “Tem um pouco de vergonha, de tabus. Às vezes, nesse mundo louco de trabalho, de viagens, a saúde é algo que acaba ficando em segundo plano”, afirma o especialista. 

Assim, as ações que incentivam o cuidado com saúde dos homens fazem sentido. Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (veja o vídeo da campanha:http://bit.ly/10OHcV), a cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens.Isso porque eles, entre outros motivos, têm mais doenças de coração, cânceres, colesterol elevado e diabetes; não procuram serviços de saúde e não seguem tratamentos, estão mais expostos a acidentes e se envolvem mais em situações de violência.

 Importância de ir ao médico é tratar doenças ainda na fase inicial

 

De acordo com Kaufmann, não é possível especificar exatamente quais problemas afetam os homens que deixam a saúde de lado.

“No geral, as doenças mais perigosas ainda são as cardiológicas e, conforme a população vai se tornando mais velha, ganham destaque também as oncológicas. A importância do homem procurar assistência médica não é para melhorar esse ou aquele problema. É preciso prevenir o que for possível e tratar doenças enquanto estiverem na fase inicial”, alerta o urologista. Desse modo, o especialista recomenda que homens com histórico de câncer na família passem a se consultar com frequência com um médico a partir dos 40 anos. “No mais, 45 é idade a partir da qual deve-se fazer um check-up da próstata a fim de se ter mais segurança, para que não se corra riscos”, completa Kaufmann. No caso dos mais jovens ou até crianças, é preciso atenção para sinais que possam indicar problemas de saúde. “Para um menino, um dos dois testículos não descer, apresentar hidrocele (aumento de água no saco escrotal) infecção urinária e fimose são as principais causas para que seja levado a um especialista. É importante que o pediatra sempre veja se está tudo em ordem com relação ao pênis e toda a região e, havendo qualquer alteração, deve-se procurar um urologista”, orienta o médico.

 

Mulheres têm participação na ida dos homens ao médico

 

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP) realizado com urologistas do Estado apontou que, em muitos casos, os homens vão ao médico por influência de mulheres. Quando perguntados sobre o que os convence a buscar assistência médica, em 50% dos casos a resposta foi que “cederam às pressões da esposa ou da namorada”. “As mulheres podem cobrar, incentivar seus maridos para que também procurem assistência igual a elas. O homem tem que fazer o mesmo, passar com o clínico geral, o cardiologista ou o urologista pelo menos uma vez por ano. É muito mais fácil prevenir ou tratar de uma doença quando ela é precoce. Caso contrário, perde-se muito tempo”, reforça Kaufmann. A participação das mulheres se torna ainda mais importante tendo em vista a ainda pequena quantidade de campanhas de saúde voltadas para os homens. “No caso de gerações mais antigas, com cabeça mais definida, a dificuldade é ainda maior. Se as campanhas para o público masculino forem mais constantes, igual, citando as mulheres, às ações direcionadas para o câncer de mama, que ocorrem todo ano, conforme passar o tempo, será possível conscientizar cada vez mais”, conclui o urologista.

Vídeos de apoio:

https://www.youtube.com/watch?v=HuuY6-qPg64

https://globoplay.globo.com/v/2852072/