Proposta de Redação: Pensar alternativas para a geração de energia elétrica no Brasil do século XXI.

 

 

 

     A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: Pensar alternativas para a geração de energia elétrica no Brasil do século XXI. Apresente proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 

      Para onde caminha a geração de energia do Brasil?

     Em meio a danos ambientais cada vez mais aparentes no mundo, especialistas defendem o uso de energias renováveis para diminuir impactos como a emissão de gases de efeito estufa e o aquecimento global. Um dos meios para isso é a substituição do petróleo como elemento principal da matriz energética global por formas de maior eficiência, como solar e eólica. Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Carlos Alexandre Pires, essa é uma das principais linhas de investimento do governo federal em geração de energia.

     O Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas são as principais forças, responsáveis por 64% da produção. No entanto, a matriz ainda pouco diversificada não garante segurança energética, resultando muitas vezes em problemas de abastecimento, como a crise enfrentada pelo Brasil em 2015.

Matriz elétrica brasileira 2015
 
Consumo final de energia por fonte - 2015
 

 

     O país ainda caminha lentamente para disseminação de fontes alternativas de energia, ao contrário de países da Europa como a Alemanha, onde a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o pouco potencial para gerar algumas energias renováveis levaram ao desenvolvimento de uma matriz renovável, como a fotovoltaica (solar) ou a eólica. Segundo Carlos Alexandre, essas são o futuro da geração de energia no mundo, e o Brasil também caminha para expandi-las. “É aquela velha história de não colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Em termos de administração e de operação de uma rede tão complexa como é a de energia, você precisa ter várias fontes ofertando em diversos momentos do dia e se complementando, quando necessário”, afirma.

Usina hidrelétrica de Itaipu
Fatores como o baixo custo e facilidade de estocagem ainda favorecem as hidrelétricas no Brasil. Foto: Itaipu/Divulgação

     A lógica da complementariedade seria parecida com a que já funciona hoje no sistema integrado: nos períodos de seca, em que as hidrelétricas operam com menos capacidade, a geração de eletricidade acaba sendo suplementada pelas termelétricas. A intenção é que as formas de energia renovável ganhem espaço cada vez mais. No entanto, dados do Boletim de Capacidade Instalada de Geração Elétrica - Brasil e Mundo 2016, do Ministério de Minas e Energia, ainda não demonstram esse movimento. Embora 90% do total dos 9,5 GW de potência instalada tenham sido de fontes renováveis, as fontes hidráulica e de biomassa permanecem liderando essa expansão.

     Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap), Mário Menel, embora o setor tenha um planejamento indicativo, é difícil controlar essa expansão, já que em um leilão prevalece a fonte que oferece o menor custo. Ele explica que a matriz elétrica brasileira comporta todas as fontes e tem bastante variedade, mas fatores como o baixo custo e facilidade de estocagem ainda favorecem as hidrelétricas.

    “A melhor forma que nós temos de armazenar energia é nos reservatórios das hidrelétricas. Se eu tenho um vento favorável e estou gerando muita energia eólica, eu economizo água, então aumento o volume do reservatório e estoco energia, praticamente dentro do meu reservatório. Enquanto parou o vento, eu libero essa água para produzir energia elétrica”, diz Menel.

     Esse cenário, no entanto, também vem sofrendo mudanças devido a outros fatores como a questão ambiental, que limita cada vez mais a construção das hidrelétricas e também a seca severa que algumas regiões vêm sofrendo.

“O Nordeste, que sofreu com falta de água nos últimos dois, três anos, só não teve um racionamento graças à [energia] eólica que está fornecendo hoje cerca de 30% da necessidade da região.”

Mário Menel, presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiap)

       Para o Ministério de Minas e Energia, os principais desafios com a entrada dessas fontes são econômicos e operacionais. Carlos Alexandre explica que a questão das intermitências de fortes como a eólica, que não é gerada quando falta vento, e da solar, que também fica parada durante a noite, impactam diretamente no preço da energia elétrica ofertada. “Nosso Operador Nacional de Sistema precisa, a cada instante, balancear o quanto é demandado de energia e o quanto é despachado.”

fonte: http://www.ebc.com.br/especiais/energias-renovaveis

 

Energia renovável: projetos que foram destaque em 2016

 
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Jordan Business Magazine

Retrospectiva prova que energia renovável não só teve cenário positivo no ano, como tende a ser a segunda fonte de eletricidade mais importante no futuro

Nunca se ouviu tanto sobre fontes alternativas de energia como na última década. Além de se manter firme e expandir em plena crise econômica, o mercado de energiarenovável dá sinais de que é o caminho financeiro e ecológico mundialmente mais adequado. A boa notícia também chega com os crescentes incentivos ao setor. Recentemente no Brasil, por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou os financiamentos a projetos de energia solar, biomassa, eólica e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

 

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Expectativa de crescimento das energias renováveis na matriz brasileira – ANEEL 2015

 

Segundo o Balanço Energético Nacional 2016, em apenas um ano as fontes renováveis de energia tiveram participação quase 2% maior na matriz energética brasileira. O destaque foi para a energia eólica, que de 2014 para 2015 variou de 2% para 3,5%. Ainda, de acordo com o Climatescope, estudo lançado em 2016 pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF), os países emergentes foram os que mais avançaram na adoção da energia renovável, adotando 18% mais capacidade geradora em 2015 do que nações de primeiro mundo.

 

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Apesar de hidrelétricas ainda despontarem, eólica e solar não param de crescer no Brasil – Irena Época

 

Por aqui, essa tendência ganhou força com o aumento no número de projetos em energias renováveis tirados do papel no último ano. Seja por meio de investimentos públicos ou privados, fato é que muitos ganharam importância nacional e até internacional, provando ser possível unir inovação, economia e consciência ambiental na corrida contra as implacáveis mudanças climáticas. A seguir, listamos quatro grandes iniciativas. Confira!

 

Usina solar da sede do Ministério de Minas e Energia (MME)

SOLAR FOTOVOLTAICA

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O edifício do MME é o primeiro a ter geração distribuída na capital federal – Agência Brasil

 

Inauguração: 17 de novembro de 2016.

Onde: Brasília (DF).

O que: Trata-se do primeiro sistema de geração distribuída de energia fotovoltaica da Esplanada dos Ministérios. Conectada à rede de distribuição, uma miniusina gera parte da eletricidade consumida pela sede a partir do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. A “sobra energética” gerada em dias não úteis é cedida à distribuidora local e pode ser consumida em até dois meses.

O projeto: 154 painéis solares, instalados no telhado do edifício-sede do MME, produzem até 69 kW, o que equivale a 7% de todo o consumo do prédio. Além disso, evita a emissão de mais de seis toneladas anuais de CO2 na atmosfera e contribui com o alcance das metas que o Brasil assumiu na COP 21 de aumentar as fontes renováveis de suas matrizes elétricas. O investimento de R$ 400 mil na usina não foram retirados do orçamento do governo federal, tendo sido aplicados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

 

Termoverde Caieiras

BIOMASSA | BIOGÁS

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Termoverde Caieiras produz energia limpa de forma sustentável, gerando créditos de carbono -Grupo Solví

 

Inauguração: 16 de setembro de 2016.

Onde: Caieiras (SP).

O que: A Termoverde Caieiras é a maior central termelétrica brasileira movida a biogás (gás metano que serve como combustível renovável gerado por meio do lixo de aterros sanitários, como resíduos animais, vegetais e urbanos). Localiza-se na Central de Tratamento e Valorização Ambiental (CTVA) da Essencis, empresa que presta soluções ambientais a indústrias e faz parte do grupo Solví Valorização Energética, responsável pelo empreendimento sustentável.

O projeto: O sistema de eletricidade renovável é composto por 21 módulos geradores da empresa AB Energy, com capacidade de 1,4 MW cada e que atendem até 130 mil imóveis da região. Já a potência total da termelétrica – que ocupa uma área de 15.000 m² e contou com autorização da Aneel – chega a 29,4 MW e é produzida graças aos detritos urbanos depositados no aterro da própria Essencis. Atualmente, a central já se encontra conectada à uma rede de transmissão brasileira (o Sistema Interligado Nacional) e opera por intermédio de uma subestação de 138 kV.

 

Complexo Eólico Vamcruz

EÓLICA

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O Complexo é uma parceria entre a francesa Voltalia e as brasileiras Encalso Damha e Chesf – Voltalia

 

Inauguração: 29 de junho de 2016.

Onde: Costa Branca (RN).

O que: Formado pelos parques eólicos Caiçara I, Caiçara II, Junco I e Junco II, o sistema faz uso de 31 aerogeradores e impulsiona a economia dos municípios de Areia Branca e Serra do Mel, fortalecendo a imagem de Rio Grande do Norte como líder no fornecimento deste tipo de energia no Brasil. Sua construção levou apenas 16 meses e gera eletricidade para mais de 200 mil famílias. Hoje, o Complexo opera com 100% de sua capacidade e conecta-se à uma linha de transmissão de 230 kV, além de contribuir com as comunidades e infraestrutura locais.

O projeto: As torres que compõem os parques do Complexo Vamcruz têm 120 metros de altura e chegam a produzir 3 MW cada uma. Ao todo, a capacidade instalada é de 93 MW, o que gera cerca de 450 GWh (gigawatts-hora) por ano. Sua conexão elétrica de 13,8 km de extensão leva eletricidade renovável para as Subestações Carcará II e Mossoró II.

 

Usina flutuante de Balbina

SOLAR EM USINA HIDRELÉTRICA

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Os painéis solares da usina de Balbina permitem um sistema misto de geração energética – Ambiente Energia

 

Inauguração: 5 de março de 2016.

Onde: Presidente Figueiredo (AM).

O que: É o primeiro protótipo em todo o mundo a explorar a energia do sol por meio de flutuadores instalados em lagos pertencentes a usinas hidrelétricas, mais especificamente à amazonense Hidrelétrica de Balbina. A sustentabilidade e o perfil renovável do projeto-piloto estão não só no uso de fontes alternativas, como no aproveitamento das subestações e linhas transmissoras das próprias usinas onde foram instaladas as placas fotovoltaicas pela empresa Sunlution, o que evitou a expropriação de terras.

O projeto: O objetivo da usina solar flutuante é aplicar a eletricidade gerada pelos painéis para compensar a baixa na produção quando os reservatórios de Balbina diminuem. No início, o sistema conseguirá produzir apenas 1 MW, mas a expectativa é de que até o fim de 2017 uma área total de 5 hectares possa gerar até 5 MW de potência, o suficiente para abastecer aproximadamente 9 mil residências. Após as pesquisas, a ideia é aumentar a geração para 300 MW e atender até 540 mil casas, além de dar início a leilões e gerar ainda mais empregos.

 

Videos de apoio:

https://www.youtube.com/watch?v=ZslaYBinEvU

https://www.youtube.com/watch?v=c0EvXIQZudM