Desafios de se pensar a identidade cultural brasileira em tempos globalizados.

Desafios de se pensar a identidade cultural brasileira em tempos globalizados.

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: Desafios de se pensar a identidade cultural brasileira em tempos globalizados. Apresente uma proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista

Texto 1

Identidade cultural brasileira

A culinária representa um aspecto importante da identidade cultural de um povo. O acarajé é um elemento da cultura baiana.
A culinária representa um aspecto importante da identidade cultural de um povo. O acarajé é um elemento da cultura baiana.
  • Samba: ritmo original do Brasil, possui uma forte raiz nos ritmos entoados por povos de origem africana, sendo uma variante sonora originalmente brasileira que surgiu nas favelas do Rio de Janeiro.
  • Feijoada: prato típico brasileiro, reúne o feijão preto, cortes de carne bovina seca, como o charque, e carnes suínas embutidas e defumadas, como o paio e o bacon. A feijoada é um prato tipicamente brasileiro que representa a nossa identidade cultural fora do país.
  • Caipirinha: um drink originalmente brasileiro que representa, de maneira geral, a nossa cultura no exterior. Composta por cachaça, gelo, açúcar e limão, a bebida teve origem no Rio de Janeiro.
  • Religiões de matriz africana: apesar de uma maioria cristã no Brasil (tanto católica quanto protestante), uma marca cultural de nosso país está nas crenças religiosas de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, que nasceram aqui a partir da miscigenação entre as religiões africanas e o cristianismo.
  • Cultura sertaneja: o sertão do Brasil, em especial o sertão nordestino, é rico em elementos culturais, sejam culinários, religiosos, linguísticos, literários, musicais, sejam das artes plásticas. Essa cultura sertaneja compõe a nossa identidade cultural.

Texto 2

O FUTURO DA CULTURA NA ERA DOS COMPUTADORES

O professor e especialista em política cultural Teixeira Coelho discute o que pode acontecer com cultura e a arte em um mundo polarizado e dominado pelas novas tecnologiasPOR G.LAB PARA SANTANDER18/11/2019 – 12:27 / Atualizado em 08/01/2020

No seu livro A Cultura e seu Contrário, o senhor afirma que nas duas últimas décadas do século XX, a cultura atingiu o papel de cimento social antes exercido pela ideologia e pela religião. Hoje, no Brasil, parte das manifestações artísticas e culturais está sendo atacada, e a ideologia e a religião voltaram a fomentar paixões. Estamos vendo um retorno da ideologia e da religião como cimento social? 

Em uma concepção ampla, a cultura envolve ideologia e religião. No século XVI, durante as Cruzadas ou no Irã de hoje, a religião é a cultura, e Estado e igreja não se diferenciam. A partir do século XIX, do Manifesto Comunista, a cultura e a ideologia se elitizaram. A humanidade experimentou momentos em que a cultura se isolou da ideologia e da igreja e se tornou uma forma de cimento social. Essa deveria ser sua função mais nobre, natural e evidente. No entanto, os momentos em que ela é apropriada pela religião e pela ideologia são frequentes e muito fortes. Hoje, estamos vendo um retorno dessa tentativa de unir algumas pessoas em torno da religião e da ideologia no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo.

https://open.spotify.com/embed-podcast/episode/0uBQahGkyDFiJwOcPZTC8C Com a globalização, imaginamos um mundo em que as culturas regionais seriam soterradas por manifestações de potências como os EUA. No entanto, parece haver um leve renascimento e uma diversificação da identidade cultural. As redes sociais diluíram um pouco dessa influência massificadora?

Eu chamo essas redes de antissociais, porque elas promovem a divisão, o ódio e a situação do 50-50, dois grupos que se opõem frontalmente. Temos como exemplos o Brexit, os Estados Unidos em relação ao Trump, e o Brasil com Bolsonaro.

Não sei se houve uma diluição da influência da indústria cultural. Se pesquisarmos serviços de streaming de vídeo, podemos encontrar uma série finlandesa, sueca ou até brasileira, mas a média dos produtos é bastante codificada. Sim, é possível ter uma brecha para manifestações diferentes. Isso aconteceu, por exemplo, com a E. L. James, que escreveu 50 Tons de Cinza. Ela pulou as barreiras da editora, da distribuição, da livraria e da crítica e entrou no mercado. O que nós ganhamos com seus livros eu não sei, mas ela ganhou muito. Não discuto que essas brechas podem vir a ser usadas de maneira criativa, mas não é o que acontece no momento.

Todo mundo ficou muito entusiasmado com a internet pela possibilidade de transgredir as barreiras e a censura dos estados, só que isso não aconteceu. Às vezes, não temos uma censura política ou religiosa, mas batemos de frente com uma barreira econômica. Ainda estamos na infância desse instrumento novo e sem uma noção clara de para onde vamos. Hoje é possível fazer o seu filme e colocar no YouTube. É fácil. Só não sei se o saldo da iniciativa aponta para a diversificação das manifestações artísticas. A globalização não conseguiu pasteurizar tudo, mas também não temos a liberdade que pensamos que teríamos no início.

A obra de arte vai sobreviver às novidades tecnológicas, vai continuar contundente e questionadora ou pode se tornar mais massificada e inócua?

A questão é saber se a arte que conhecemos na modernidade da civilização ocidental, crítica e questionadora, vai continuar a existir. O questionamento está sendo cerceado. Um desafio para a arte, por exemplo, é o politicamente correto. Não só a censura exterior continua existindo, mas há também a censura interior do artista. Aquela arte que veio à tona no final do século XIX estava livre do Estado, da igreja, dos partidos políticos e do comprador burguês. O pintor Monet, por exemplo, passou a fazer o que queria. Se alguém comprava uma obra dele, ótimo, se não, tudo bem. Ele tinha condições de fazer isso, claro, mas esse tipo de arte, que tem a função de fazer as pessoas pensarem, corre perigo de desaparecer.

Os exemplos do que é chamado de arte tecnológica hoje não vão muito além de um passatempo intelectual desenraizado. Os instrumentos tecnológicos atuais não impedem que a arte continue a existir. Mas os primórdios dessa arte digital ou computacional não possuem resultados nem próximos de algo como um Picasso, um Monet, ou a arte dos Estados Unidos dos anos 1960, que era extremamente questionadora.

Momentos de crise favorecem a criação artística?

Quando a ditadura de Salazar acabou em Portugal, os intelectuais ficaram esperando pelo aparecimento dos novos livros que deveriam estar nas gavetas. Só que não havia livro nenhum. No Brasil, ao contrário, na época da ditadura, houve uma produção muito forte, crítica e inovadora. Mas o cerceamento não é necessário. Da renascença para cá, Michelangelo e Da Vinci, por exemplo, trabalharam com uma dose de criatividade imensa e não havia uma grande crise.

Existe a ideia respeitada, mas não universal, de que a arte surge como um processo de compensação do artista por alguma perda. Se essa proposição tem algum valor, podemos dizer que quando há uma crise ou uma repressão, o artista vai reagir e criar talvez mais ou melhor do que quando está satisfeito. De acordo com essa teoria, como não há qualquer vislumbre de satisfação para os próximos tempos, creio que teremos muita criatividade pela frente.

A maneira como tomamos decisões é cultural. Escolhemos uma coisa porque aprendemos que é melhor ou mais ética do que outra. Uma máquina que toma decisões a partir de conceitos éticos “universais” será capaz de mudar nossa expressão cultural?

A maneira como tomamos decisões é realmente uma questão cultural, de hábito. Não existem conceitos universais. E o livre arbítrio do ser humano é ilusão. Hoje, estão oferecendo empregos para quem conseguir “injetar” ética em um algoritmo. O grande problema dessa cultura computacional é que não existe como injetar uma ética de escolha em um algoritmo simplesmente porque a humanidade não é capaz de identificar ou de concordar quanto a seus valores. Não podemos esperar que a cultura computacional resolva um problema que não conseguimos equacionar no nosso dia a dia.

A maneira como tomamos decisões pode mudar de acordo com nossas origens e com nossa etnia, por exemplo, e uma máquina de inteligência artificial poderá modificar isso. Só que não é algo que vá acontecer rapidamente. Se o mundo tiver tempo para que o processo siga seu curso, e não sei se temos esse tempo pela frente, é possível que haja uma homogeneização. Neste momento, porém, estamos elogiando a diversidade, que significa valores diferentes, conflitos e discórdia. A pergunta é: queremos culturas homogêneas? 

José Teixeira Coelho Netto é professor livre docente da USP e pós-doutor pela Universidade de Maryland. Foi diretor do MAC-USP e curador-coordenador do Masp, além de autor de diversos livros sobre cultura e arte e de ficção.