Desafios de se preservar o patrimônio histórico-cultural do Brasil

Desafios de se preservar o patrimônio histórico-cultural do Brasil

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: Desafios de se preservar o patrimônio histórico-cultural do Brasil. Apresente uma proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

Texto I

A solidão do meteorito

Há imagens que se tornam símbolos de uma época. Por exemplo, a 1Pedra do Bendegó, sólida e negra como uma acusação, emergindo por entre as cinzas tristes do Palácio de São Cristóvão.

2Penso na longa viagem que o meteorito fez até chegar ali — cinco toneladas de ferro e níquel navegando entre as estrelas, afundando-se no sertão baiano, sendo resgatado e exposto (uma saga essa operação de resgate, daria um romance) —, enquanto lembro os versos da poeta norte-americana Muriel Rukeyser: “O Tempo entra./ Diz:/ o universo é feito de histórias,/ não de átomos.”

O que desapareceu para sempre enquanto o Museu Nacional ardia não foram átomos, não foram artefatos, não foram múmias antiquíssimas, preciosas coleções de 3lepidópteros, vozes e canções em línguas que nem existem mais: foram histórias. As histórias de que somos feitos.

Lembramos — por isso existimos. Sempre que algo da nossa memória individual ou coletiva se perde, perde-se uma parte de nós. Estamos sempre à beira da extinção. Somos uma espécie ameaçada e somos também a nossa pior ameaça.

Com a destruição do Museu Nacional é como se o Brasil tivesse sofrido um grave 4acidente vascular cerebral, não socorrido a tempo. Nesse processo, o Brasil perdeu parte da memória. O problema de perder parte da memória é que não sabemos ao certo o que perdemos. Um homem perde um braço num acidente; sabe que perdeu o braço. Mas como saberá, ao despertar no hospital, após um AVC, que perdeu a primeira gargalhada do seu filho? O aroma a goiabas do quintal da sua infância? A noite mais bela da sua vida?

O Brasil perdeu parte da memória; portanto, nem sequer sabe ao certo o que perdeu.

José Eduardo Agualusa

O Globo, 8 set 2018 Adaptado

Glossário:

1 – Pedra do Bendegó – Denominação pela qual é conhecido o meteorito encontrado no interior do estado da Bahia. Integra o acervo do Museu Nacional desde 1880, tendo resistido ao incêndio que destruiu o Museu, no último dia 2 de setembro.

3 – Lepidópteros – Ordem de insetos da qual fazem parte mariposas e borboletas.

4 – Acidente vascular cerebral – Muito conhecida pela sigla AVC, essa doença se caracteriza pela perda do correto funcionamento de partes do cérebro, em decorrência de falha na irrigação sanguínea.

Texto II

Uma noite real no Museu Nacional

Gira coroa da majestade

samba de verdade, identidade cultural

Imperatriz é o relicário

no bicentenário do Museu Nacional

Onde a musa inspira a poesia

a cultura irradia o cantar da Imperatriz

é um palácio, emoldura a beleza

abrigou a realeza, patrimônio é raiz

que germinou e floresceu lá na colina

a obra-prima viu o meu Brasil nascer

no anoitecer dizem que tudo ganha vida

paisagem colorida deslumbrante de viver

bailam meteoros e planetas

dinossauros, borboletas

brilham os cristais

o canto da cigarra em sinfonia

relembrou aqueles dias que não voltarão jamais

À luz dourada do amanhecer

as princesas deixam o jardim

os portões se abrem pro lazer

pipas ganham ares

encontros populares

decretam que a Quinta é pra você

Samba de enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense em 2018

Compositores: Jorge Arthur, Maninho do Ponto, Julinho Maestro, Marcio Pessi, Piu das Casinhas.

Texto III

Coleção

Colecionamos objetos

mas não o espaço

entre os objetos

fotos

mas não o tempo

entre as fotos

selos

mas não

viagens

lepidópteros

mas não

seu voo

garrafas

mas não

a memória da sede

discos

mas nunca

o pequeno intervalo de silêncio

entre duas canções

MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Texto IV

Fernanda Montenegro usou as redes sociais para lamentar o incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira, localizado na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (29).

Segundo informações dos bombeiros, o fogo começou quando uma empresa terceirizada fazia manutenção do ar condicionado. Não houve vítimas.

Fernanda fez um post em que diz: “Eu quero falar aqui o que eu escrevi. O incêndio na nossa Cinemateca Brasileira em São Paulo, é uma tragédia anunciada”.

“Toda a nossa cultura das artes sofre um ‘cala a boca’ neste momento. Mas vamos renascer, tenho certeza. Nós temos certeza”.

“Das cinzas, vamos renascer. É sagrado o eterno retorno. Das artes, então. Na cultura das artes, então. Um país não existe sem cultura ligada as artes.”