O DESAFIO DE SE COMBATER O FETICHISMO DA MERCADORIA NO BRASIL

O DESAFIO DE SE COMBATER O FETICHISMO DA MERCADORIA NO BRASIL

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: O Desafio de se combater o fetichismo da mercadoria no Brasil. Apresente uma proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

O conceito de Fetichismo da Mercadoria

Por Cristiano das Neves Bodart*

O conceito de “fetichismo da mercadoria” não é de fácil compreensão, sobretudo quando o primeiro contato ocorre diretamente com texto de Marx (1867). Pensando nisso, buscamos por meio deste texto apresentar de forma menos complexa esse conceito[1] tão caro para a compreensão das reações de trabalho e de troca no capitalismo.

O conceito de “fetichismo da mercadoria” foi cunhado por Karl Marx (1818- 1883) na obra-prima intitulada “O Capital” (1867), estando diretamente ligado a outro conceito, o de “alienação”. A palavra alienação vem do Latim “alienus”, que significa “de fora”, “pertencente a outro”. Karl Max em sua obra Manuscritos econômico-filosóficos, de 1844, utilizou a palavra “alienação” para designar o estranhamento do trabalhador em relação o produto do seu trabalho, o que ocorre da seguinte forma: o trabalhador não mais dominando todas as etapas de fabricação e não possuindo os meios de produção para tal, acaba não se reconhecendo no produto produzido. É como se o produto tivesse surgido independente do homem/produtor, como uma espécie de feitiço e seu valor de troca desvinculado dessa produção, daí o termo utilizado por Max: Fetichismo da mercadoria.

Diferentemente da produção artesanal, a produção industrial não possibilita, quase sempre, o reconhecimento do produtor e as relações mercantis implicam um valor de troca da mercadoria que não é, necessariamente, o valor de uso. Ao nos depararmos com um produto artesanal nos preocupamos em saber quem o produziu, assim como o artesão mostra-se quase sempre orgulhoso do fruto de seu trabalho. Há uma relação de pertencimento do produto em relação ao artesão que o produziu. Diferentemente, ao entrarmos em uma loja de produtos industrializados não nos interessamos saber quem o produziu, antes relacionamos sua produção à “empresa que o produz”. Isso acontece porque na produção industrial há divisões social de tarefas/trabalho (especializações) e maquinários que executam automaticamente ações
nesse processo. Aos trabalhadores não lhes cabem reconhecer o resultado final da produção como fruto de seu trabalho e, por isso, não se reconhece
como dono da riqueza produzida, antes apenas “merecedor” de parte dela, àquela que resta após a subtração via Mais-Valia. Esse “distanciamento” do trabalhador em relação ao produto produzido Marx chamou de alienação. Juntamente com essa alienação, vemos um produto que parece ter “propriedades mágicas”, estando seu valor desvinculado ao valor de uso e às relações sociais de produção, antes tendo um valor de troca independente desses elementos.

Para Marx (1867, p.25),

“O carácter misterioso da forma-mercadoria consiste, portanto, simplesmente em que ela apresenta aos homens as características sociais do
seu próprio trabalho como se fossem características objectivas dos próprios produtos do trabalho, como se fossem propriedades sociais inerentes a essas coisas”.

Grosso modo, o “Fetichismo da Mercadoria” caracteriza-se pelo fato das mercadorias, dentro do sistema capitalista, ocultar as relações sociais
de exploração do trabalho, criando um valor de troca marcado por “sutilezas e manhas teológicas” (MARX, 1996) que fazem com que a mercadoria tenha “vida própria” e, consequentemente, um valor de troca que não se explica pelas relações de trabalho.

Referência
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Nova Cultura,
1996 [1867]. cap. I, p. 165-175; 197-208.

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