OS EFEITOS DO EXOSSOMATISMO HUMANO NO CONTEMPORÂNEO

OS EFEITOS DO EXOSSOMATISMO HUMANO NO CONTEMPORÂNEO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema: Os efeitos do exossomatismo humano no contemporâneo. Apresente uma proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

O Exossomatismo Humano

O processo de exossomatismo, inerente à condição humana, é a base de procedimentos/comportamentos como hierarquias, ordenamentos, diferenciação social, divisão de trabalho, luta de classe, enfim, pode-se considerá-lo como mecanismo central dos estágios civilizatórios da humanidade. Destarte, todas as formas de relação possuem algum grau de exossomatismo. Isto é, este conceito pode ser considerado como a raiz do poder.  O exossomatismo é uma forma de adaptação inconsciente/consciente do ser humano às condições ambientais. Adaptação (do latim adaptacione), biologicamente falando, é o processo pelo qual os indivíduos (ou as espécies) passam a desenvolver para viver em determinado ambiente. Isto implica em uma adaptação evolutiva face as mutações e recombinações gênicas. Isto é, estabelece-se um quadro de seleção natural. No caso individual, pode ser considerada como uma adaptação somática porquanto resulta de uma modificação não hereditária, em resposta a algum fator do meio. Essa adaptação somática, no entanto, pode ser estendida à espécie. Ela transcende o indivíduo por ser viabilizada através de próteses.

Tais instrumentos podem ter um uso coletivo. Enquanto construtos utilitários, projeções de concepções mentais/simbólicas/sociais em resposta a desafios ambientais, podem ser considerados como meméticos. Ou seja, estruturas culturais que condicionam seus utilizadores ao mesmo tempo que facultam o acomodamento ambiental tanto do indivíduo como do coletivo. Nascem como próteses mentais na forma de símbolos que depois se concretizam em construtos materiais, em objetos palpáveis, engenhos que potencializam a ação humana. E que se transformam em heranças culturais/informacionais que vão fomentar saltos tecnológicos mais ousados.

Ecoexossomia

Como conciliar entropia com antropia? A discussão ambiental visa uma problemática ou se trata de uma questão? Segundo Maurício de Carvalho Amazonas (2007):

No final dos anos 60 e anos 70, a emergência do movimento ambientalista e o choque do petróleo fizeram dos recursos naturais, da energia e do ambiente em geral um tema de importância econômica, social e política, o qual pode ser chamado Questão Ambiental. Esta trouxe a crítica ao modelo de desenvolvimento econômico vigente, apontando para um conflito, senão uma possível incompatibilidade, entre crescimento econômico e preservação dos recursos ambientais, e que tal conflito, em última instância traria limites à continuidade do próprio crescimento econômico. Assim, a crítica ambientalista, surgida inicialmente nos meios científicos e ambientalistas, vai progressivamente adentrando o campo da ciência econômica, dado ser o funcionamento do sistema econômico o objeto central da crítica. Neste processo, é de grande destaque o impacto do Clube de Roma, com a publicação de “The Limits to Growth”, o Relatório Meadows, de 1972. Tal trabalho aponta para um cenário catastrófico de impossibilidade de perpetuação do crescimento econômico devido à exaustão dos recursos ambientais por ele acarretada, levantando assim à proposta de um crescimento econômico “zero”. O debate passa então a polarizar-se entre esta posição de “crescimento zero” – conhecida por “neo-malthusiana” – e posições desenvolvimentistas de “direito ao crescimento” (defendida pelo países do terceiro mundo), indo desaguar na Conferência da UNCED em Estocolmo em 1972. Nesta, como terceira-via, desenvolve-se a tese do Ecodesenvolvimento, segundo a qual desenvolvimento econômico e preservação ambiental não são incompatíveis, mas, ao contrário, são interdependentes para um efetivo desenvolvimento. Esta tese vem a desenvolver-se na proposição do Desenvolvimento Sustentável, que adquire sua forma mais consolidada no Relatório Brundtland de 1987 (Our Common Future), segundo a qual o Desenvolvimento deve ser entendido pela eficiência econômica, equilíbrio ambiental e também pela eqüidade social. De um modo geral, Desenvolvimento Sustentável hoje é ponto de passagem obrigatória no debate econômico, representando o ponto maior da penetração da Questão Ambiental na Economia.

Cabe fazer-se uma diferenciação entre problema e questão. Conforme Merleau-Ponty, problema é algo que envolve a lógica formal enquanto que questão tem a ver com a lógica dialética. Ou seja, os fenômenos biofísicos que envolvem o contexto ecológico constituem-se em uma problemática que a lógica formal pode dar conta. Mas os impactos antrópicos são resultantes do caráter das relações sociais empreendidas pela sociedade; mas o comportamento social envolve conflitos de interesses que só podem ser abordados, eficiente e eficazmente, pela lógica dialética. Desse modo, há uma problemática ambiental que só pode ser de fato resolvida se a dialética social for aplicada. A problemática ambiental é, na verdade, uma projeção da assimetria social. Portanto, trata-se de uma questão social. 

O aquecimento global parece ser hoje o ápice da referida problemática. Segundo o quarto relatório, bem recente, do IPCC (maio de 2007), a responsabilidade humana pela mudança climática atual é de mais de 90%. São alterações que implicam na subida do nível do mar pelo derretimento das geleiras ao longo do atual século, ameaçando as cidades litorâneas. Intensificação dos ciclones, escassez de água potável e de alimentos, afetando bilhões de pessoas. No caso da Amazônia, o aumento de temperatura fará com que a exuberante floresta se transforme em uma savana.

As mudanças em tela compõem um quadro catastrófico. Um autêntico cenário apocalíptico. Tal situação é indubitavelmente decorrente do credo obsessivo pelo crescimento econômico a todo custo. A cultura da incrementação de crescentes percentuais do produto interno bruto (PIB). Em suma, claro que por ser inerente à condição humana o comportamento exossomático não pode ser eliminado. Mas pode ser redirecionado. A exossomia humana pode adquirir um caráter ecológico. As próteses materiais resultantes desse processo podem ser inteiramente recicláveis e biodegradáveis. Assim pode-se implantar a cultura da ecoexossomia.

Fonte: http://www.feth.ggf.br/ADAPTABILIDADE.htm

TEXTO 2

Tecnologia e meio ambiente: relação de fracasso ou de sucesso para a sustentabilidade?

iStockphoto.com / ipopba A tecnologia e os meios sustentáveis precisam andar juntos.

As inovações tecnológicas costumam ser apontadas como o motor do crescimento econômico das nações, sendo peça fundamental para diferenciar os seus níveis, pois quanto maior o índice de inovação de um país, maior tende a ser a sua economia. Esse fenômeno se deve ao fato de ela impulsionar a capacidade de iniciativa dos empresários e fomentar novas descobertas científicas, gerando oportunidades de investimentos e impactando positivamente o crescimento e o emprego das nações, de modo que os lucros obtidos geram novos investimentos e expandem as inovações (SHUMPETER, 1982).

Segundo o Manual de Oslo (1991) as inovações tecnológicas correspondem à introdução de novos produtos ou melhoria daqueles já existentes no mercado, englobando todas as etapas produtivas dos processos técnicos, tais como as cientificas, organizacionais, financeiras e comerciais, as quais contribuem decisivamente para o desenvolvimento desses novos produtos ou processos tecnologicamente melhorados.Sobretudo, apesar dos inúmeros benefícios produtivos oriundos das inovações tecnológicas, elas tradicionalmente contribuíram de maneira negativa para a conservação ambiental, intensificando a sua degradação e reduzindo drasticamente a biocapacidade do planeta, tanto por meio da geração de resíduos e emissão de poluentes, resultantes da dinâmica entre os agentes econômicos, quanto através do esgotamento dos recursos naturais não-renováveis.

Um pouco de história

Esse fenômeno foi impulsionado pelas Revoluções Industriais, em fins do século XVIII e início do século XX, período em que prevalecia a abundância de recursos, por isso não se preocupava com a exaustão e finitude dos mesmos. De acordo com Lustosa (2011) somente depois de mais de um século e meio do início do processo de industrialização e crescimento econômico, a questão da escassez dos recursos passou a ser considerada como ameaça ao crescimento das economias modernas, sendo introduzida definitivamente nas agendas de desenvolvimento das nações.

Nesta perspectiva, Altvater (1995) alerta sobre os riscos globais iminentes, enfatizando que o desenvolvimento econômico e o meio ambiente deverão caminhar juntos, dadas as crescentes demandas de recursos produtivos para as atividades econômicas e a finitude dos recursos ambientais que se tornam cada vez mais escassos, comprometendo toda a dinâmica econômica e o futuro do planeta.

Nesta perspectiva, as inovações tecnológicas têm perdido o seu perfil altamente degradador nos últimos anos, passando a ser incorporadas pelas nações como mecanismo fundamental de conversão de uma economia extremamente poluidora para uma economia verde e sustentável, utilizando os recursos naturais de maneira eficaz e com a devida responsabilidade ambiental, dadas as novas demandas de mercado e as exigências do Estado.

Tais iniciativas na qual a tecnologia é utilizada de forma limpa e responsável, ocorrem em maior proporção nas nações desenvolvidas, mesmo sendo estas as mais poluidoras, visto que nas nações pobres a incorporação de tecnologias limpas ainda é bastante cara. Além disso, a utilização de normas ambientais é vista por muitos países como grande empecilho ao crescimento econômico.

Brasil e a relação tecnologia e sustentabilidade

No caso do Brasil observa-se um grande paradoxo: de um lado este apresenta-se como detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, tendo evidentes vantagens comparativas frente às outras economias e capital natural abundante. Mas, por outro lado, o seu rápido crescimento econômico, principalmente ao longo do século XX, intensificou a degradação ambiental e o empobrecimento dos serviços ecológicos, provocando uma crescente perda da sua biocapacidade.Sem contar que o processo de crescimento do país foi marcado por precários investimentos em tecnologia, as quais eram constantemente importadas dos países desenvolvidos, demandadas pelo modelo de substituição de importação, não havendo grande esforço tecnológico interno para produção de tecnologia própria (SANTOS, 1998).

Somente na última década do século XX verificou-se uma maior expansão do desenvolvimento científico do país, com mudanças profundas nos padrões de competitividade, nas relações comerciais e no processo produtivo (CUNHA, 1992). Tais iniciativas buscaram também fomentar o desenvolvimento de tecnologias limpas, direcionando investimentos em massa para programas e projetos ambientais. Entretanto, os dados do The Global Innovation Index 2013 (GII) revelam que o Brasil ocupa atualmente a 61ª posição no ranking do índice global de inovação, perdendo apenas para Índia, em relação aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Esses dados revelam a necessidade de o país canalizar mais investimentos em ciência e tecnologia, dada a sua grande desvantagem tecnológica em relação às economias mundiais e vantagem em termos do capital natural global. Somente com a expansão dos investimentos tecnológicos pode-se pensar em um novo modelo de desenvolvimento, cuja questão ambiental passe a ser vista como prioritária.

Sem investimentos em inovações, o país continuará trilhando um caminho degradador, reduzindo maciçamente o seu capital natural, perpetuando a sua dependência como importador de tecnologias externas fortemente nocivas ao meio ambiente, gerando inúmeros impactos negativos que também se estendem à economia e, consequentemente, à população como um todo. O Brasil necessita quebrar tabus, com esforços de toda a sociedade, governantes, empresas, instituições, entre outros agentes, incluindo a questão ambiental não como empecilho para o crescimento, mas como mecanismo essencial para a promoção do desenvolvimento sustentável. Aproveitando as oportunidades nas dificuldades, o Brasil poderá trilhar um novo caminho rumo à sustentabilidade global.

Fonte: https://www.pensamentoverde.com.br

TEXTO 3

Vídeos de apoio:

https://www.youtube.com/watch?v=yXqu-hx8qS8 https://www.youtube.com/watch?v=mN49PbO2TWM

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